Cláudia Lourenço – SuperProfile

Queria encontrar espaços que desenvolvessem actividades musicais para fazer com o meu superbaby e, foi assim, que cheguei ao ECOS e que conheci a, sua fundadora, Cláudia Lourenço. Quando entrei no ECOS senti a magia e a paixão que a sua criadora colocou neste seu projeto e quis saber mais sobre a sua aventura de vida e o percurso que a conduziu a este lugar, onde ecoa música, magia e o mais importante Amor. A Cláudia, com o entusiasmo e a alegria que a caracterizam, aceitou este meu convite para falar mais sobre o seu Eco.

Deixo-vos com o Eco mágico e musical deste SuperProfile:

Quem é, nas tuas palavras, a Cláudia Lourenço?

(Risos) Eu acho que, acima de tudo, é uma rapariga que sonha muito (pausa) e acho que ela nunca deixou de sonhar.

É uma pessoa que vive muito no seu mundo, muito no mundo da fantasia, apesar de ter os pés assentes no chão, mas é uma pessoa que gosta muito de brincar.

É uma pessoa feliz.

É uma pessoa que faz tudo com o coração e acho que é demasiado transparente, para não seguir o que lhe vai na alma.

Quando e como é que a música entrou na tua vida?

A música entrou na minha vida desde muito cedo.

O meu pai é músico e nunca me lembro de não ter tido esse contacto com a música.

Lembro-me perfeitamente quando o meu pai ensaiava em casa, ele tocava clarinete na altura na banda da Capricho-ainda toca mas toca saxofone – eu e a minha irmã estávamos sempre delirantes a olhar e a experimentar tudo – o meu pai fazia muita questão que nós tocássemos e experimentássemos – e com o passar do tempo eu ia assistindo muito aos ensaios, eu ia e ficava sentada a olhar e sempre tive um grande desejo de aprender música.

Não foi um processo fácil porque na altura era o meu pai que me dava as aulas de música e digamos que… (risos) não corriam lá muito bem (risos), mas pronto depois foi começando e acho que foi aos 6 anos que comecei a aprender flauta transversal, que foi sempre o meu instrumento de eleição, sempre!

Disse sempre que quando quisesse aprender que era flauta transversal.

E depois comecei a entrar na escola de música da banda da Capricho. Fui crescendo, fui percebendo que era mesmo isto que queria seguir.

Para além da música queria muito ser professora. Acho que foi sempre esse o meu grande objetivo.

Depois ingressei na academia de Música e Belas Artes, entrei entretanto em Setúbal e foi assim que fui seguindo o meu percurso.

Portanto o grande responsável, foi sem sombra de dúvida, o meu pai.

14689996_1452449544782768_425932288_o

Já havia a música na tua vida.

O que te fez querer lecionar?

O contacto com as pessoas, nomeadamente com um público, que eu sempre gostei muito, que são as crianças.

Sempre gostei muito de ensinar e gostava muito de poder partilhar tudo aquilo que eu tinha para partilhar e também vivenciar e criar novas experiências. E a educação permitia-me isso.

Quando eu estava a tirar o curso e num daqueles devaneios da juventude em que queremos tudo, e os nossos pais não nos conseguem acompanhar nas questões materiais, porque entretanto chegou a um ponto que eu queria um piano, queria uma guitarra, queria tudo.

Querias a banda.

Queria a banda (risos). Queria a banda toda! (mais risos).

Lembro-me perfeitamente de uma noite em que cheguei ao pé do meu pai e disse:

– Eu quero…

… e depois fiz uma lista infindável e o meu pai olhou para mim e disse:

– Eu não te compro, portanto se quiseres vai trabalhar.

E eu pensei :

– Está bem.

Então passei a noite toda à procura de infantários pois era um sítio onde poderia chegar mais rapidamente e consegui. Então aos 18 anos eu comecei a trabalhar em jardins de infância, o meu leque e a minha abrangência de idades, começou desde os de um ano aos dois anos até aos de 12- 13 anos e fui percebendo que eram dois mundos que eu gostava muito:

O mundo do jardim de infância que me permitia sonhar, me permitia criar, ser aquilo que eu realmente queria ser no meu mundo de fantasia.

E o outro mundo que me permitia criar, compor, fazer, experimentar e partilhar com um público que me percebia de outra forma. Dai a questão da educação e da docência na minha vida

14686560_1452452938115762_1771543759_n

E as crianças, foram elas que te “encontraram” ou tu é que as “encontraste”?

Woh! (risos).

Eu acho que foram ambas as partes. Foram ambas. Acho que nada é por acaso, e tem que existir ali uma sintonia.

E foi um encontro saudável, positivo.

O que é que o trabalho com as crianças te dá?

Alegria. Sou muito feliz. A sério.

Eu hoje digo, mesmo que sou muito feliz no trabalho que faço. Tenho aquilo que mais quero. Trabalho na área da educação, trabalho com o meu público de eleição. Agora consigo dizer que o meu público de eleição realmente são os mais pequenos. É a minha praia, a minha onda.

O trabalho com elas possibilita-me ser realmente quem eu sou.

E o que é o teu trabalho com elas lhes acrescenta?

Sobretudo, magia.

Sabes, quando estou com as crianças e quando eu entro, eu sinto que elas estão à minha espera, eu sinto que trago mesmo qualquer coisa para elas. E eles sentam-se – agora estou-me a referir a uma grande experiência jardim de infância, ou creche ou berçário, porque é  incrível! Quando eu entro os bebés gatinham todos para o tapete à minha espera e tu ficas a pensar:

– Woh! Percebes?!

E gatinham na tua direção. À medida que as idades vão aumentam vai havendo um maior conhecimento, mas todos fazem o mesmo. Vão todos para o tapete à espera que eu entre e  ficam completamente ansiosos. E o que eu lhes trago são histórias, é magia. E depois tudo isso é cosido com música, e eu consigo chegar até eles com toda uma série de competências e objetivos musicais de uma forma tão lúdica e tão boa, que aquilo torna-se realmente em fantasia.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Como é que a “magia” muda o teu dia-a-dia, a tua rotina, as coisas corriqueiras do teu quotidiano?

Então é o meu escape! É o meu refugio… Vivemos numa sociedade tãooooo (pausa). Tãoooo…Sei lá!.. De gente louca, está tudo cada um para seu lado, ninguém escuta ninguém e está tudo “tão tapado” que é quase o meus escape. Eu tenho que entrar nisto!

 (olha em volta para o espaço onde nos encontramos a fazer a entrevista o espaço Ecos)

Para eu ser criança, para eu ter este lado muito infantil que eu tenho…para…

Para “pintares” o teu dia-a-dia com outra cor?

Sim, sim.

Cláudia, quais são os teus superpoderes?

Neste momento? Porque eles foram mudando.

Sim, estamos a falar de talento, do teu potencial.

O facto de Acreditar. Eu acredito. E isso muda tudo.

A partir do momentos que passei a acreditar em tudo, as coisas quase que vieram até mim mudou tudo e as coisas começaram a acontecer.

Deste um “salto de fé”?

Sim, completamente.

Cheguei a um ponto da minha vida em que disse:

– Não. Eu consigo tudo aquilo que eu quero. Portanto, vamos a isso. Se falhar falhou e a vida segue e há outros caminhos para desbravar.

E isso aconteceu numa virada muito grande, com um conjunto de circunstâncias, sequência de uma série de coisas que aconteceram num dado momento da minha vida. Coisas muito más que eu achei que não merecia o que me estavam a fazer. E Eu agora agradeço a todo esse conjunto pelo facto de poder agora estar aqui sentada, a falar contigo, num espaço que era um sonho que eu tinha de há muitos anos e que nunca pensei alguma vez concretizar porque o medo me impedia. E realmente a vida consegue proporcionar-te coisas desagradáveis mas que levam a isto. Portanto, agradeço do fundo do coração, tudo aquilo por que passei.

Qual era o “medo” que te impedia de chegar ao “Ecos”?

Medo de não acreditar naquilo que conseguia fazer, e a partir do momento em que passei a acreditar, as coisas começaram a ganhar contornos muito grandes e eu disse:

 – É isto! Então se é isto, eu vou. Eu vou fazer. Eu vou arrancar!

E foi assim que nasceu o projeto “ECOS”?

Foi. Foi.

Durante muitos anos dei vários nomes a tudo o que eu fazia. Fazia pequenos projetos e dava nomes.

Depois pensei:

– Não, eu agora quero um nome. Eu quero um nome para o meu projeto.

E estava longe de abrir este espaço. E estive dois anos e meio à procura do nome. Tudo o que eu pensava não era bem aquilo e, de repente, surgiu o nome.

Quando surgiu o nome eu pensei:

– Não, eu vou abrir um espaço!

E surgiu o ECOS.

Este nome está muito ligado a esta questão de eu parar, de me ter ouvido e ter ouvido aquilo que estava há tanto tempo dentro de mim, e que eu fazia de conta que não ouvia, que não estava lá, e baixava constantemente o volume a esse Eco.

14694787_1452467418114314_1368866134_n

E o que é que o ECOS proporciona às famílias?

Tempo… tempo para estar, para partilhar, viver, criar, brincar. Magia para poder sonhar com os nossos maiores tesouros. Afeto… música… sorrisos… muitas palpitações… Pois por vezes existem sessões que fazem os pais transpirar de tanto eco que se faz sentir. Mas sobretudo, e sem querer estar a repetir, proporciona felicidade. 
O que significa a expressão “sons de sentir”?

É uma pergunta que leva a uma outra dimensão do Ecos.

Sons de Sentir surgiu porque eu queria e quero que o Ecos seja um projeto de todos e para todos, sem barreiras, sem limitações.

Independentemente das capacidades e condições físicas individuais.

E por muito diferentes que possamos ser. Existe algo comum a todos…

É que todos nós sentimos. E aqui os sons sentem-se! É um projeto de inclusão.

Todas aquelas bolinhas por cima da palavra Ecos, é AMOR em braille. E cada cor de cada letra transmite um estado de alma, estados sentidos por todos.

E, como disse Júlio Dinis:

“O amor é um som que reclama um Eco”.

14696814_1452452864782436_1651476109_n

Cláudia, perguntas de resposta rápida, sem pensar muito.

Um superpoder que querias ter?

Neste momento tenho tudo o que preciso…

Uma intenção por detrás do trabalho que desenvolves?

Ouvir o meu eco e ser muito feliz.

Um sonho por (concretizar/materializar)?

Ser ainda mais feliz.

Uma música, frase, imagem, momento ou actividade que te faça que te faça “voar”?

O nascimento do meu filho.

 

Agradeço à Cláudia a sua coragem e disponibilidade para acrescentar um pouco de si a mais um SuperProfile.

Para saberes mais sobre a Cláudia Lourenço e os projetos que desenvolve:

Cláudia Lourenço SuperProfile:

Cláudia Lourenço, é licenciada em Educação Musical pela Escola Superior de Educação de Setúbal e especializada em Educação Especial pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Exerce desde 2000, atividade como professora de Expressão Musical em berçário, creche e jardim-de-infância. Fundadora do projeto Ecos, sediado em Setúbal, pelo qual é responsável e no qual desenvolve diversas atividades no âmbito da musicalidade e afetividade parental.

Anúncios
Categorias SuperProfile

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close